
Resumo: O roubo de cargas no Brasil ultrapassou R$ 1,2 bilhão em prejuízos e apresenta novas rotas e produtos visados pelo crime organizado. Veja o mapa atualizado de risco logístico, os impactos no frete e as estratégias que embarcadores precisam adotar em 2026.
O transporte rodoviário continua sendo a espinha dorsal da logística brasileira. Mais de 60% das mercadorias movimentadas no país passam pelas rodovias, conectando indústrias, centros de distribuição e varejo.
Mas essa dependência também expõe a cadeia logística a um dos maiores riscos operacionais do país: o roubo de cargas.
O problema deixou de ser apenas um crime oportunista. Hoje ele envolve organizações criminosas estruturadas, uso de tecnologia, inteligência logística e redes de receptação que movimentam bilhões.
Para embarcadores e gestores de supply chain, entender esse cenário é essencial para proteger operações e reduzir perdas.
Panorama do roubo de cargas no Brasil
Dados recentes indicam uma mudança importante no comportamento da criminalidade logística.
- 10.478 roubos de carga registrados em 2024
- Queda de 11% no número de ocorrências em relação a 2023
- Prejuízo total estimado em R$ 1,217 bilhão
- Aumento de 21% no valor das cargas roubadas
Ou seja: mesmo com menos ocorrências, os criminosos passaram a focar em cargas de maior valor agregado.
Entre os produtos mais visados estão:
- Alimentos e bebidas
- Autopeças
- Cargas fracionadas
- Eletrônicos
- Medicamentos
Mapa do roubo de cargas no Brasil
A distribuição geográfica do crime também mudou.
Historicamente concentrado no eixo Rio–São Paulo, o roubo de cargas começou a se espalhar para outras regiões do país.
Participação regional nos prejuízos
- Sudeste: 68,1%
- Nordeste: 12,8%
- Norte: 11,2%
Estados com maior incidência:
- São Paulo
- Rio de Janeiro
- Bahia
- Maranhão
- Pará
O crescimento mais expressivo ocorreu na região Norte, que saltou de apenas 0,9% para mais de 11% dos prejuízos nacionais.
Rodovias com maior risco
Alguns corredores logísticos concentram grande parte dos ataques:
- BR-116 (Rodovia Presidente Dutra)
- BR-040 (Washington Luís)
- BR-101
- Trechos da Avenida Brasil no RJ
Nessas regiões, fatores como tráfego intenso, áreas urbanas densas e gargalos logísticos favorecem a ação das quadrilhas.
Produtos mais roubados nas estradas
Segundo levantamentos do setor logístico, os principais alvos do crime são:
- Alimentos e bebidas: 40%
- Autopeças: 11%
- Cargas fracionadas: 10%
- Cigarros: 8%
- Eletrônicos: 5%
A alta liquidez desses produtos facilita a revenda no mercado paralelo.
Impacto direto no custo do frete
O roubo de cargas tem efeito direto no custo logístico.
As seguradoras aumentam o valor dos prêmios, o que eleva o custo do transporte para embarcadores.
Dados do setor indicam:
- Aumento de 8,1% nos prêmios do seguro contra roubo de carga
- Crescimento de 12,4% nas indenizações pagas
Esse cenário pressiona diretamente o valor do frete e as taxas de gerenciamento de risco.
Nova fiscalização eletrônica da ANTT
A partir de 2026, a fiscalização do transporte rodoviário também passará por mudanças importantes.
A Portaria SUROC nº 27/2025 da ANTT estabelece cruzamento eletrônico entre o RNTRC e os registros da SUSEP para verificar automaticamente os seguros obrigatórios.
Entre as principais consequências:
- Bloqueio de transportadores irregulares
- Impossibilidade de emitir CT-e
- Multa de R$ 3.000 por irregularidade
Estratégias para reduzir o risco logístico
Diante desse cenário, empresas estão adotando estratégias mais avançadas de segurança logística.
Entre as principais medidas estão:
- Uso de telemetria e IoT no monitoramento de cargas
- Análise preditiva com inteligência artificial
- Planejamento logístico baseado em dados (S&OP)
- Homologação rigorosa de transportadoras
- Integração digital com sistemas regulatórios
O gerenciamento de risco deixou de ser apenas operacional e passou a ser uma estratégia central da logística.
Conclusão
O roubo de cargas no Brasil continua sendo um dos maiores desafios da cadeia logística.

A combinação de crime organizado, expansão territorial do risco e aumento do valor das mercadorias roubadas exige novas estratégias de prevenção.
Para embarcadores, investir em tecnologia, inteligência logística e compliance regulatório será fundamental para garantir segurança operacional e competitividade nos próximos anos.
Perguntas frequentes sobre roubo de cargas
Qual é o prejuízo anual com roubo de cargas no Brasil?
Estima-se que o prejuízo anual ultrapasse R$ 1,2 bilhão, considerando mercadorias roubadas e impactos indiretos na logística.
Quais produtos são mais roubados?
Alimentos, cargas fracionadas, eletrônicos, medicamentos e autopeças estão entre os produtos mais visados.
Quais regiões apresentam maior risco?
O Sudeste concentra a maior parte dos casos, mas houve crescimento significativo nas regiões Norte e Nordeste.
Como empresas podem reduzir o risco?
Investindo em telemetria, rastreamento inteligente, análise de dados, planejamento logístico e gestão avançada de risco.
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