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Defasagem de preço de combustível aumenta com câmbio

Com a valorização de mais de 11% do dólar em um mês, com a moeda americana próxima de 2,50 reais, o reajuste necessário do preço do combustível foi para 15%, segundo análise do banco HSBC. No cálculo dos economistas Luiz Carvalho e Filipe Gouveia, a estatal é muito impactada pela variação cambial porque importa combustível (em dólares) a um preço mais alto do que vende no mercado nacional, o que explica a enorme defasagem e deixa seu caixa ainda mias comprometido. Além disso, 80% de sua dívida estão ligados a contratos influenciados pelo câmbio, dizem os analistas.

“A presidente Dilma Rousseff tem uma posição pública a respeito desse tema. Ela acredita que o Brasil não deve ter paridade com os preços dos combustíveis para evitar criar volatilidade nos preços domésticos”, comentaram Carvalho e Gouveia. O governo brasileiro obrigou a estatal a segurar os repasses de preços dos combustíveis ao consumidor para brecar a inflação.

Outra analista do setor, Karina Freitas, da Concórdia Corretora, explicou que a Petrobras hoje não gera caixa suficiente para suas necessidades de investimentos e obrigações de dívida. E a empresa ainda paga dividendos (aos acionistas)”. Ou seja, ela precisa resolver logo a questão da geração de capital para arcar com suas despesas.

Assim, o HSBC avaliou que se não houver mudança na política de investimentos da estatal ou no preço dos combustíveis que ela vende, ela poderá precisar de um novo aporte de capital, com consequente diluição da participação dos acionistas atuais. Em seu relatório consta ainda que um aumento de 10% no preço da gasolina pode ter o mesmo impacto de um aumento de 100 mil barris diários na produção da estatal, enquanto 10% de reajuste do diesel implicaria em um efeito três vezes superior ao aumento de produção.

A intervenção do governo na Petrobras tem sido muito criticada por especialistas do setor e também tem prejudicado a empresa, que já perdeu 162,52 bilhões de reais em valor de mercado desde o primeiro dia do governo Dilma.

Bruno Gonçalves, analista da Alpes/WinTrade, afirma que o mercado já está esperando um reajuste logo, mas que a política de preços da Petrobras precisa ser mais transparente para passar confiança aos investidores.

Fonte: Portal de Notícias Revista Veja

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