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Transportadoras falam em consenso para evitar greve dos caminhoneiros


Representantes de empresas donas de caminhão que contratam motoristas para transportar a carga da indústria e do agronegócio evitaram posicionamento após encontro na Infraestrutura

A primeira reunião desta quarta-feira (24/7) para tratar da greve dos caminhoneiros reuniu o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e representantes de transportadoras, empresas donas de caminhão que contratam motoristas para transportar a carga da indústria e do agronegócio. Os representantes do setor saíram do encontro falando em “consenso”, mas não se posicionaram diante da crise. Neste momento, o chefe da pasta se reúne com lideranças dos próprios caminhoneiros.

Vice presidente de transporte rodoviário de cargas da Confederação Nacional do Transporte, Flávio Benatti, por exemplo, disse que o ministro está no caminho correto para sair da situação, mas evitou falar sobre as polêmicas envolvendo a resolução número 5.849/2019 da Agência Nacional dos transportes Terrestres (ANTT), tabela que define o preço mínimo de frete para a categoria, publicada no último sábado (20) e suspenso na última segunda (22), após os motoristas ameaçarem uma greve nos moldes da que ocorreu em maio de 2018. “ É uma situação complexa, a questão do tabelamento, e o que ouvimos do ministro, saímos otimistas em relação à busca desse consenso”, afirmou.

Questionado sobre a tabela, ele se resumiu a dizer que é “uma negociação entre todos os envolvidos”. “Na realidade, nós vivemos um momento em que essa questão está sob judice. Há uma insegurança jurídica grande por parte do setor empresarial de transporte, com relação a não decisão disso. E o ministro está em um caminho positivo de, enquanto não houver uma decisão judicial, para que haja um caminho pacífico sobre isso”, completou.

José Hélio Fernandes, presidente da Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística, concorda. Segundo ele, seria interessante que o Supremo Tribunal Federal antecipasse a análise da constitucionalidade da tabela antiga, julgamento que está marcado para 4 de setembro. “Poderia dizer que viemos bastante preocupados, mas a reunião nos surpreendeu positivamente. Em uma situação como essa, realmente, tem que acontecer o diálogo. O governo conversou com embarcador, setor empresarial autônomos, e cada etapa dessa conversação, temos certeza que isso vai avançar positivamente”, garantiu.

“O setor é complexo e o piso é complexo. Sempre falamos disso e tem que haver muita disposição para conversar e achar a melhor solução para esse momento . Encontrar esse consenso em relação a essa tabela. Somos favoráveis que se ajuste entre todos os atores. Não é só empresários. Tem o caminhoneiro autônomo e os empresários embarcadores”, argumentou.

A Confederação Nacional dos Transportes Autônomos (CNTA), que também participa da reunião do ministro com as lideranças, divulgou um informe que destaca, ponto a ponto, os trechos da resolução considerados inconsistentes pela entidade. Segundo a confederação, “equipamentos e condições operacionais diferente apresentarem o mesmo valor para cálculo”. Além disso, “não há diferença na contratação do conjunto ou só do cavalo quando se refere a carga geral na linha de equipamentos de cinco e seis eixos”.

Ainda de acordo com a CNTA, os valores de frete atribuídos ao uso do cavalo mecânico, a parte da frente do caminhão, é menor que o conjunto, que também envolve a carroceria. “Na carga geral, apesar de o valor dela se aproximar bastante do granel sólido, quando se compara mais uma vez os valores do cavalo mecânico, verifica-se uma diferença significativa para as faixas de cinco e seis eixos”, informou a entidade.

“Outro ponto levado pela CNTA nas audiências públicas, e que não foi contemplado pela resolução, é a necessidade de ser incluída nas variáveis de cálculo a diária do caminhoneiro, com custos como alimentação e pernoite. Além deste item prioritário, outros itens não contemplados, como as despesas de administração e tributação inerentes à operação de frete devem ser inseridos no cálculo. Pois a lei define que o piso mínimo de frete deve refletir o custo operacional total do transporte”, encerra o informativo.

Fonte: Portal de Notícias do Jornal Correio Braziliense

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