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Obras de logística podem salvar sul catarinense

 

Ao compararmos o PIB (IBGE 2011) da região sul catarinense em relação a região norte do Estado, nos deparamos com um abismo assustador; pior, estamos no fundo. Vivemos um dos piores momentos econômicos depois dos períodos de prosperidade do carvão e da cerâmica; setores estes que ainda sobrevivem, mas já não são os motores do desenvolvimento regional.
Passamos os últimos anos sendo pautados pela necessidade da duplicação da BR-101, como cavalo de batalha para o desenvolvimento, colocando no atraso desta obra o empecilho que impedia o nosso crescimento econômico.

Passada uma longa década, descobrimos que perdemos grandes oportunidades por falta de visão holística e planejada das necessidades da região. Agora, com a proximidade da conclusão da BR-101, percebemos sua obsolescência ao volume de tráfego, demonstrando que já na sua entrega, estará saturada, absorvida pelo transporte de riquezas de outras regiões, restando-nos pouco, além das migalhas do tipo “João e Maria”.

O governo do Estado, deveria dispor de estruturas administrativas e políticas públicas que promovessem o desenvolvimento econômico de forma equilibrada, estimulando e integrando os municípios e a região. Entretanto o que se percebeu nestes anos foi o aparelhamento do Estado e a distribuição de subvenções, de forma pouco republicana. Planejamento na administração estadual é o que se chama de “mosca branca”, pode até existir, mas é raríssimo.

Apesar disso, pela pressão e iniciativas isoladas de alguns setores e/ou prefeituras, algumas obras e projetos começam a se concretizar na região e gerarão novas oportunidades para o desenvolvimento e crescimento econômico. Refiro-me às obras do Aeroporto de Jaguaruna, a ampliação do Porto de Imbituba, a conclusão da duplicação da BR-101 e a pavimentação asfáltica da BR-285, na Serra da Rocinha, em Timbé do Sul, completando a ligação entre a BR-101, em Araranguá, a São Borja, na divisa do Rio Grande do Sul com a Argentina. Estas obras, em sinergia, tornar-se-ão ótimas estruturas para escoar a riqueza regional e principalmente a produção agrícola do norte e noroeste gaúcho, ao oferecer um trajeto mais curto e barato ao Porto de Imbituba, em relação ao hoje utilizado, porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

E a região sul catarinense o que vai agregar com essa coincidência de obras, construídas sem planejamento, mas que por força das circunstâncias nos favorecem?

A grande oportunidade que se avizinha é o ainda tímido Terminal Intermodal projetado no município de Içara, que vislumbra um leque de oportunidades para mudar essa realidade. Nosso desenvolvimento, todavia, continua assim, a reboque de interesses de outras regiões, sem planejamento e sem investimentos direcionados com este objetivo. Caminhamos com passos lentos e inseguros, aos solavancos do acaso, pagando um alto preço pela pobreza e miopia política, que tanto nos orgulhamos de ostentar.

Fonte: Portal de Notícias Portogente

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